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segunda-feira, 21 de maio de 2018

cruza cigana

Manouche flui pelo quarto que é sala e salão aceito como sim
assim dizendo sozinho pro mundo inteiro meu eu primeiro que gargalha
da evidência, a flagrante fita do flagrante, ou simplesmente, o flagra.
eu tenho e sou isso que parece ou que aparece ralentando ou acelerando
vou transformar tudo nisso aqui e aí

Tava pensando -

A inabilidade de tirar os olhos de você que impossível fazer isso que
é imediato nessa alternância de atenções e distrações all of me é tudo de mim
um salão, como eu dizia, uma pia de batizar boêmio ou um pio de cantar
a piedade pra nossas pobres almas o senhor seja e a senhora injusta
quanto custa a justiça ou aprecia a carícia simplesmente tão ingenuamente
a prova da cova sabor pesto isto que o cobra cobra quando a serpente morde
 ou sorri oferecendo esse parcelamento dando um salve pra turma dos
velhos tempos e saudações pra juventude e um beijo pras irmãs e pros
irmãos uma coisa que é real não sei porque e nem quero
tendo vencido o medo, a clareza me é generosa de se atravessar
tendo o poder só me resta ser o velho que já sou e sempre fui, afinal
a febre começou faz muito tempo, não é uma coisa tão nova não
quer se provar mas por autoevidente embalada no trend pasmo de sucesso
sou igual a essa aparição incoerente na gomes freire, um fantasma
risonho batendo o ponto na música de cada de dia, esperando que
nunca chegue o final, descendo a quarta avenida que é como seria
em outra realidade nessas outras vidas que merecem atenção comparável
aquela que se presta a presente ou subindo santa tereza
no galope das minhas arritmias sentimentais capazes de resultarem
cardíacas eu desejo você que me espera no alto da ladeira
vendo que alguém vem porém sem jamais jamais suspeitar quem eu
cruzei pra te encontrar aqui

quarta-feira, 2 de maio de 2018


Sonho tomar outra forma que não esta, ou esta a minha, esta que está ou que é
Sonho o pico do hormônio, o desenho da sensação, sua estrutura, a função resposta do estímulo, dobrada a tensão sobre a mielina, sonho esse inferno do desejo explodindo como lembrança viva, manifestação de hoje e agora ontem; um longo tiro que emerge da minha medula e busca o espírito 

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

fatalismo

'não posso parar' disse pela terceira vez, acompanhando o ruído dos trilhos chiando do agudo ao grave numa cadência desistente.
'não posso parar'
'a escolha é sua' ela cuspiu as palavras entre dentes com pouca convicção e a saliva das sílabas pendeu de seus lábios por um breve segundo
'meu deus', um sinal luminoso acendeu circulando a maçaneta eletrônica. 'a verdade é que sinto, sinto mais que nostalgia ou saudade, sinto pressa' - Estação terminal, o desembarque é obrigatório

terça-feira, 3 de outubro de 2017


Foi preciso que deixassem pra trás os retratos, pois eram ícones, como as cruzes. Chamava-se Resolução, fiquei sabendo por quem estava próximo e por oportunidade me contou, acho que foi assim com todos, mais ou menos. No terceiro dia todos se despiram e sobreveio um eclipse, ao que uma longa gargalhada ressoou pelos continentes. Foi a Resolução, cuja alcunha acadêmica era a Morte da Memória, nos termos de historiadores em flagrante contradição.

remembra

assombrame o braço empostado pelo gesto ou a postura
um pender estilo clinamen show de osso por cima
a musculatura tesa em automação
elétrica trameada piezo ezpressiva
no rosto, contando o meu

em retalhos cosidos trapos estirando a rede da pele
um sorriso que ourivesaria estiletada marca
fendendo a face em símbolo pra dizer
sim, mas nunca
mais

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A cara do mundo

Para quem deseja um sol bem posto
Traço linhas nessa horizontal
Arqueadas por cisma ou à gosto
Da geoide olhando o mar Austral

Abstratas sobrancelhas franzir
Expressa ocultamente o planeta
E eu sou cartógrafo a me iludir
Que desenho o mapa da careta

Para quem quiser divino rosto
Onde espinhas sejam cordilheiras
E lava o muco em vulcões narizes

Minha escala minimiza o custo
Das humanas formas passageiras
Nas suas desumanas matrizes

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Larnaka Blues

No emaranhado das relações, mar de olhares, meus olhos são meus e são de outrem são espelhos e contêm a imagem fogueira luminosa, a expressão dos seus e dos dela, nossos gestos codificando nossa vontade truncada pela insegurança, suavizados pela surpresa do encontro, o entrechoque insuspeito, a revelação tudo que não sei, quando perdi todas opções e a monstruosa limitação, o peso da forma, a herança. Desejo desfocado me consome eu persigo o mundo como uma chama que balança em todos lados um suporte, o anteparo da imaginação, meu universo é a prisão do meu corpo e a visão que o extravasa, que demole as fronteiras. Cada perdão desterrado no suco dos lábios, como um cristal a consumação de um amor que queima, eu vi a luz da estrela penetrando meus olhos milhões de anos bilhões de interações carregadas perfurando minha visão Desequilíbrio; nosso perfil decisório, nosso portfólio de escolhas, nossa especulação estive querendo e querendo querer estou vivo na errância da palavra mas sinto a chaga da rede, a moral de uma fábula em forma fotográfica sobre a passagem do tempo