Todo

Todo
dia

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Anelegia - ouisense

Sirvo-me a ti como a bandeja
Transidamente plana no espasmo da vista ela
Golpeia

À força de todas as induções sou óbvio:
Espumante - num estampido, da cobertura
À marquise de creme

Do que se leva na consciência desfolhada
Trago (deus) e a viscosidade do movimento
Rajado no coorte

Despe(r)diçado

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Principia(nte)

- Todos os processos são infinitos e infinitesimais

O processo transita mudo

Projetar é espelhar a perspectiva num espaço arbitrário

O projétil imagina os olhos

Magicamente capturo-me na expectativa - olho

Crio por despedir-me de mim - é o pedaço que fica

A conjunção enuncia a descontinuidade

O Universo é discretamente contínuo

O continuum das canções é precipitação

Existe uma profundidade latente na minha consciência: devo buscá-la ou morrer

quinta-feira, 26 de março de 2009

Deus! que melancolia no parnaso...
Olha lá o João mostrando os dentes:
quão desagradável és criatura -
quisera uma palavra na boca certa.


- em homenagem à nuvem cigana

quinta-feira, 12 de março de 2009

Sob o oiti

(recitativo)

Jura-me que me tens na minha jura -
Da base ao topo - que me ajuste plano
Justo, e no aprumo todo se estrutura
Num rumo gajo em cada abuso lhano.
Gira-te que me fez na minha: gira
Dirimida na gíria porque gera (-me)
Geme, marijuana ou Mahavira
No teu Arjuna disjunto, quisera

(balada)

Imaginar só a gente, e imagina
Se hoje cantasse num repente cedo
E me sedasses só vestindo seda
Do lado avesso ao vestido; me anima 
Vexar-te sentido o tecido quedo
Deitado e seguindo cada vereda.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Há para além de mim: algo
E espelha-me, qual
chovesse.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Meio azul

Diz-se do sentido das hosanas em linha reta - que
( assumam todas as direcções )

Mas a transfusão do significante quedou-se na sua margem
( num ponteio inverso )

E conjugou-se improviso o falsete dos uníssonos - !
( ainda que pisquem as paisagens no contraluz )

Há um jazz em todas as posições
( como a entonação suave das promessas )

E o fole aberto de uma canção ainda por nascer
( )

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Eu não te entendo em vice-versa

Há uma linguagem pessoal e intransferível
de si para si, cuja gramática se flexibiliza pela intuição.

Não é verbal ou simbólica - e mistura-se
pelo formato fluido que lhe confere a turvação do pensamento.

Não é necessariamente sinestésica mas toma o seu tom
Emprestado de todos os sentidos.

Nunca se perde porque seus conectivos
não se relacionam com o tempo ou com a memória;
Mas também nunca se detém num significado pontual.

A identidade é uma suposição de linguagem,
Ainda que desastradamente tolhida pela boca.