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dia

segunda-feira, 21 de junho de 2010

condições de contorno

- na prática, um transe ocioso da consciência
porque a natureza extremiza a causalidade
porque a cognição releva as transparências
e toda aparência é implausível a olho nu;

se tudo que não se apreende conserva
a responsabilidade de existir,
enquanto a gente conversa sobre a vigília
numa tirada espirituosa da predicação
em tese, a poesia é anti-sistemática

mastudodepende da
relevância do ruído, até
porque, em geral
os ar-condicionados sinfonizam a noite em si bemol maior

sexta-feira, 11 de junho de 2010

transciência

dê vazão pro desargumento quase agora
(que é
aaaaaaa o sem razão da linguagem) ,
pra fitar os anos justificados numa paragrafação de enganos
aaaaaaa a mecânica do esquecimento redime a invenção

em outras palavras;

é preciso chamar tudo que se é
aaaaaaaaaaaaaa em discurso,
porque a substantivação formaliza o universo
, aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa daqui a pouco;
e só pra constar

quarta-feira, 24 de março de 2010

ossos do ofício

eu sei que importa
(e é o que me está dito no exercício de desertar-me
verso a verso num milhão de coerências)

e se importa
(no que a impostura intelectual da poesia sugere
todos os ardis nos vínculos do sentido)

por quê
(se o elo aprisiona mais que a corrente
e um homem é muito mais do que todos)

eu digo?

segunda-feira, 22 de março de 2010

lagoritmo

é do poro no viso flanante que a presença vaga
e de quanto que a onda dobra insinuosa
desacopla a borda fronte ao exponte onde
na multivaluação do reflexo
narciso contempla um eixo imaginário

e é da esfera no limiar da implicação que a casca
do centro do mundo inteiriço em todas direções
diverge por contra-intuição

dimensa

e asfixia discretamente em anéis

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Em voz alta

Não sei se é a chuva que me estala os ouvidos,
ou o estalo varando a solidão do lábio;
que a boca esbarra nos cabelos compridos
como a chuva diz na linguagem do presságio.

Não sei se é o que venta no empurrão do zumbido,
se vibra na borra da impressão que é paisagem -
que os corpos costuram num véu por despidos,
ou os olhos teceram na canção das imagens.

Porque se é de seda que desgarra o sentido,
ou de sentir que desaba do chão que senta
(pra despir do mundo o pensamento vestido
ou vestir ao avesso a sensação isenta):

- Não sei se é o ouvido que força o estalo em chuva,
ou a solidão varando o estalo de um beijo;
que a garganta engasga na intuição turva

e os cabelos sussurram na língua do ensejo.

domingo, 17 de janeiro de 2010

literalmente

foi o risco de ser esquecido que cristalizou minha personalidade
e a comédia afundou o dedo na goela do meu espírito,

em certa medida,
eu sou um sintoma da minha própria iniciação
no drama impessoal de você
até porque os verdadeiros detalhes são ocultos
e qualquer verso é uma realidade especular dos teus

(repensada no desarranjo da ordem elementar
a poesia é imediata)

sábado, 19 de dezembro de 2009

insone

Transido no plectro da juventude,

Me assomei de ócio como num assédio -

E possuído de avesso amiúde

Deitado eu simbolizo o nosso tédio...