Na fragmentação da forma que é tal qual senão supõe:
Pra encher a chaleira de enredo
e ferver o enredo
leva-se a chaleira ao fogo
[O clímax apita pelas construções!
tens em mãos os olhos de algum
ou de outro, e um olho de cada
provavelmente o seu, e outro da medusa
espremidos demais pra não se fitar
mutuamente no espelho do elevador]
ainda favorável à sua leitura inconsciente do meu corpo
que diz: é tão consistente e precisa a minha mensagem,
que desconfio da sua autoria,
reconheço-me o veículo de uma consciência que
essencialmente me ignora, rejeita e desconhece
na mesma medida em que é refratária ao seu próprio motor oculto
(a confissão agora é minha ferramenta, no desempenho
frívolo de atribuir significado) e confesso:
porque o tédio que sinto em ouvir as suas confissões é a maior das minhas qualidades,
é um vazio fodido esticar essas pernas vaziamente confessas
no lombo de uma hidra de mil cabeças (chama-se beleza)
mas vamos em frente enquanto
os jogos de palavra apriosionam as expressões
na cela mais estreita
o problema é que todas as ambiguidades são trivias pa caralho
(e o sentinela do outro lado da grade acena ironicamente)
e eu estou cheio de ressentimento
castrado numa solidão europeia,
ser odiado parece uma saída
como se vc dissesse
sai dessa
Todo
dia
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Supersimetria
Olha os corpos escamando membranas,
Em revoluções suaves das bordas;
A Natureza se desfia em cordas
Pra enlaçar o Espírito de hosanas...
É a forma oculta de toda história;
E u'a mecânica análoga me oprime
Em que te amar é negar o que afirme
O meu amor profundo sem memória:
Busquei as falhas do mundo simétrico
Que em algum lugar o tempo volta atrás
Na lógica imensurável de Vênus,
Mas meu entendimento é todo métrico
E reconhece que te amo demais
E tu me amas cada dia menos...
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
O Amor
Tudo parece quieto lá fora.
Quieto demais... e num tal silêncio
de ressecar as gengivas da aurora,
e apequenar-se esse mundo imenso.
Parece tão frio, aliás,
se bem que aqui dentro eu inda gelo;
mesmo puxando da manga o ás
e mastigando um chocolate velho...
Te ofereço e recusas: - Não gosto!
É o favorito de milhões,
mas a ti sequer desperta o dente.
Derrete como a hóstia e o rosto
contrai inteiro de comichões...
Será mesmo que você não sente?
terça-feira, 14 de setembro de 2010
éden
à meia tarde eu remansava o inquieto no olho da serpente
aaaaera quebrando testa no busto
aaaapapo de chamar o panteão completo de socorro
e o tempo o todo tempo ia empacando no casco da mula
enquanto luarou a vida de vislumbre lua pra minguar o dia
no beijo de encontrar alguém
cobra é coisa que não se brinca de além mundo
se no fundo da garganta cristada de carbono
o sangue até se enamora de peçonha
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
terça-feira, 10 de agosto de 2010
drama prático
estou disposto
em questão
e estou indispondo-me
debochado - no travesso de indispor
as personalidades figuradas no tempo do impasse
que pode passar até, num apelo arcano da informalidade
abraçado
e estou preparado pra destratar quaisquer,
e descartar os enredos limiares da minha consciência imersa
na esteira do empuxo, pra aspirar o vento
pra respirar o céu pela boca crispada de desejo
e engasgar nauseado de perfume lendo os seus lábios
instruirem
terça-feira, 27 de julho de 2010
infinitivo
tens-me em mãos, de convidada
e aviltada de concessões no desapego dos dedos
pra embaralhar o destino, afeito de afoito ou pra dançar
que estás de finta e está pra fitar de
trivelada no soslaio da ambição, vem
perfilar de êxito os olhos cerrados se
enclausurado no miasma da intenção eu te
deixar entreaberta a minha demasia
pra exceder todos poros no castigo da vaidade e
num vislumbre oportuno do espelho
em que te julgarias completa à exceção de música
trocar o brinco esquerdo pelo direito
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