Há um innuendo vocal próprio a desgraça
Do desencontro a franzir no sobrelábio
Ao esfarelamento da língua inábil
E que a toda expressão limiar devassa
E há qualquer intenção de quase um sintoma
Quando a palavra cessa ao fim da sentença
Que é uma nota cava a anunciar doença
E a sugestão negra do nosso idioma
Numa cega punção de evitar ver
Os olhos de a quem se empresta evidência
Toda um velho drama de reparação
A revelação vazia de saber
Por quê é claro não pedir-se licença
Pra partir em pedaços um coração
Todo
dia
segunda-feira, 30 de abril de 2012
terça-feira, 24 de abril de 2012
quarta-feira, 11 de abril de 2012
hermenêutica de quando o real é deserto
o real não é um objeto, um atributo do qual
as coisas tomam posse; o real é um sujeito
no percurso do herói, eu acredito que
sou real, mas é o real que toma posse de mim
quando lhe apraz; a minha existência é vazada
e o real me penetra, como penetra um deserto
a desolação não é da natureza do real, mas o real
se traveste em desolação. o real usa a desolação
como um vestido; é do vestido ser inerte.
há uma autonomia anônima do real
nesse deserto
terça-feira, 18 de outubro de 2011
incomunicado
Pouco importa que as coisas sejam como são,
Ou quão pouco seriam, vestidas de fatos,
Se há quase nada da essência na emanação
E o perfume não é mais que um sonho do olfato.
Nada é por si só, porque tudo representa
Num resquício pasmo do sentido final
A leitura contingente que alguém comenta
Sobre um quadro negro no giz vestigial.
Portanto eu dou meu texto, e todo subtexto
Me ressente a expressão até o mais débil gesto,
Eu, testemunha do inferno: a língua contrária.
Não ser entendido ou tampouco entender
É a solidão, ou a solidão sem ser
Que a existência não resiste à solitária.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
de fini ção
Crendice é
aaaaaaaaa ter ciência ou consciência,
Sentado rente a tela da lareira
No embalo cru de mil crepitações,
Pra compensar a demência, a velhice
(Nessa beira de luxúria sem talo)
E os comichões de ausentes ereções
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