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dia

quarta-feira, 24 de março de 2010

ossos do ofício

eu sei que importa
(e é o que me está dito no exercício de desertar-me
verso a verso num milhão de coerências)

e se importa
(no que a impostura intelectual da poesia sugere
todos os ardis nos vínculos do sentido)

por quê
(se o elo aprisiona mais que a corrente
e um homem é muito mais do que todos)

eu digo?

segunda-feira, 22 de março de 2010

lagoritmo

é do poro no viso flanante que a presença vaga
e de quanto que a onda dobra insinuosa
desacopla a borda fronte ao exponte onde
na multivaluação do reflexo
narciso contempla um eixo imaginário

e é da esfera no limiar da implicação que a casca
do centro do mundo inteiriço em todas direções
diverge por contra-intuição

dimensa

e asfixia discretamente em anéis

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Em voz alta

Não sei se é a chuva que me estala os ouvidos,
ou o estalo varando a solidão do lábio;
que a boca esbarra nos cabelos compridos
como a chuva diz na linguagem do presságio.

Não sei se é o que venta no empurrão do zumbido,
se vibra na borra da impressão que é paisagem -
que os corpos costuram num véu por despidos,
ou os olhos teceram na canção das imagens.

Porque se é de seda que desgarra o sentido,
ou de sentir que desaba do chão que senta
(pra despir do mundo o pensamento vestido
ou vestir ao avesso a sensação isenta):

- Não sei se é o ouvido que força o estalo em chuva,
ou a solidão varando o estalo de um beijo;
que a garganta engasga na intuição turva

e os cabelos sussurram na língua do ensejo.

domingo, 17 de janeiro de 2010

literalmente

foi o risco de ser esquecido que cristalizou minha personalidade
e a comédia afundou o dedo na goela do meu espírito,

em certa medida,
eu sou um sintoma da minha própria iniciação
no drama impessoal de você
até porque os verdadeiros detalhes são ocultos
e qualquer verso é uma realidade especular dos teus

(repensada no desarranjo da ordem elementar
a poesia é imediata)

sábado, 19 de dezembro de 2009

insone

Transido no plectro da juventude,

Me assomei de ócio como num assédio -

E possuído de avesso amiúde

Deitado eu simbolizo o nosso tédio...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

sabe...

fiz-me crer na razão por desamor a analogia
embora meu descabimento seja analógico
e, em certa medida, espiritual

(sabia que o batom simula tumidez
como o beijo simula a intimidade
e a timidez simula a solidão?

[te amo
mas espero que você não leve isso pro lado pessoal

{quãoinclinadavocêsesenteadeitar
comigo?

([{

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

te quero
e tudo mais é trivial na solução dos meus olhos
porque
- todo mistério é consensual