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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

o primeiro verso

registra viés da palavra na ante-sala do verbo

pra arrimar romance em lueiro brabo

e o cão no meu sangue ainda diz que é pra sentir

terça-feira, 10 de agosto de 2010

drama prático

estou disposto
em questão
e estou indispondo-me
debochado - no travesso de indispor
as personalidades figuradas no tempo do impasse
que pode passar até, num apelo arcano da informalidade
abraçado
e estou preparado pra destratar quaisquer,
e descartar os enredos limiares da minha consciência imersa
na esteira do empuxo, pra aspirar o vento
pra respirar o céu pela boca crispada de desejo
e engasgar nauseado de perfume lendo os seus lábios
instruirem

terça-feira, 27 de julho de 2010

infinitivo

tens-me em mãos, de convidada
e aviltada de concessões no desapego dos dedos
pra embaralhar o destino, afeito de afoito ou pra dançar
que estás de finta e está pra fitar de
trivelada no soslaio da ambição, vem
perfilar de êxito os olhos cerrados se
enclausurado no miasma da intenção eu te
deixar entreaberta a minha demasia
pra exceder todos poros no castigo da vaidade e
num vislumbre oportuno do espelho
em que te julgarias completa à exceção de música
trocar o brinco esquerdo pelo direito

quinta-feira, 1 de julho de 2010

só de te olhar, tenho um milhão de maus poemas na cabeça
e te dedicaria todos na cara de pau se soubesse que você iria gostar
a questão é, novamente, quando.
ou por quê às vezes basta um verso ser bonito
se você também é,
e se às vezes basta que seja feio
porque eu sou;
desde que seja, de alguma forma
como todo quadro é
figurativo
e todo mundo reitera a ordem cósmica da aproximação
entre eu e você, isto é,
claro
e é uma tragédia filha da puta esse esclarecimento
essa lucidez ofuscante e anasalada chamando o amanhã
pra concentrar o esforço gigante de sentir antes que seja tarde
pra ensurdecer a humanidade de música
ou te perguntar se
você está ouvindo?
presta atenção, por favor
porque eu quero gelar o teu sangue
e eternizar de frio o rubor das tuas faces morenas

segunda-feira, 21 de junho de 2010

condições de contorno

- na prática, um transe ocioso da consciência
porque a natureza extremiza a causalidade
porque a cognição releva as transparências
e toda aparência é implausível a olho nu;

se tudo que não se apreende conserva
a responsabilidade de existir,
enquanto a gente conversa sobre a vigília
numa tirada espirituosa da predicação
em tese, a poesia é anti-sistemática

mastudodepende da
relevância do ruído, até
porque, em geral
os ar-condicionados sinfonizam a noite em si bemol maior

sexta-feira, 11 de junho de 2010

transciência

dê vazão pro desargumento quase agora
(que é
aaaaaaa o sem razão da linguagem) ,
pra fitar os anos justificados numa paragrafação de enganos
aaaaaaa a mecânica do esquecimento redime a invenção

em outras palavras;

é preciso chamar tudo que se é
aaaaaaaaaaaaaa em discurso,
porque a substantivação formaliza o universo
, aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa daqui a pouco;
e só pra constar

quarta-feira, 24 de março de 2010

ossos do ofício

eu sei que importa
(e é o que me está dito no exercício de desertar-me
verso a verso num milhão de coerências)

e se importa
(no que a impostura intelectual da poesia sugere
todos os ardis nos vínculos do sentido)

por quê
(se o elo aprisiona mais que a corrente
e um homem é muito mais do que todos)

eu digo?